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Separação das redes de esgoto e águas pluviais em edifícios
Em um edifício, a água que escorre pela cobertura e a água que sai dos banheiros e das cozinhas percorrem caminhos diferentes, cada um com sua própria tubulação. A rede de esgoto recolhe o esgoto sanitário e o leva até a rede pública ou ao sistema de tratamento. As águas pluviais seguem por uma rede independente, com destino próprio. Essa separação precisa estar definida no projeto hidráulico desde o início.
Quando as duas redes se misturam, a chuva forte passa a competir com o esgoto pelo mesmo espaço nas tubulações, e o resultado costuma aparecer em ralos que transbordam, mau cheiro e refluxo nos pavimentos mais baixos. Este artigo reúne o que o projeto considera para manter cada rede no seu caminho.
Por que separar a rede de esgoto das águas pluviais
O esgoto sanitário é dimensionado para a vazão que os aparelhos do edifício produzem. Uma chuva intensa lança sobre a cobertura e as áreas externas um volume de água muito maior, em poucos minutos. Se essa água entra na rede de esgoto, a tubulação trabalha acima da sua capacidade e o excesso procura saída pelos pontos mais baixos: ralos de garagem, caixas de inspeção e desconectores do subsolo.
Há ainda a questão da rede pública. As concessionárias e os municípios costumam proibir o lançamento de águas pluviais na rede de esgoto, porque ela é dimensionada para o esgoto sanitário e as estações de tratamento não comportam o volume da chuva. O projeto atende a essa exigência e define o destino de cada rede. (As exigências da concessionária e do município da obra devem ser confirmadas com a equipe técnica.)
Como o projeto organiza as duas redes
A separação começa pela concepção das prumadas. As águas pluviais descem por condutores verticais próprios, ligados às calhas e aos ralos da cobertura, das lajes descobertas e dos terraços. O esgoto sanitário desce por tubos de queda independentes, que recolhem os efluentes dos banheiros, cozinhas e áreas de serviço, e contam com colunas de ventilação.
As duas redes chegam ao pavimento térreo ou ao subsolo por caminhos distintos e seguem para destinos diferentes. O esgoto sanitário vai para a rede pública ou para o sistema de tratamento previsto. As águas pluviais vão para a sarjeta, para a galeria pluvial, para um sistema de infiltração ou para uma cisterna, quando o edifício aproveita a água da chuva. Em subsolos, o projeto também define os poços de recalque de cada rede, quando a gravidade não consegue levar a água até o ponto de descarte.
Esgoto primário, esgoto secundário e a gordura da cozinha
Dentro da própria rede de esgoto, o projeto faz outras separações. O esgoto primário corresponde às tubulações em que pode haver passagem de gases vindos da rede. O esgoto secundário corresponde às tubulações protegidas por desconectores, como os ralos sifonados e as caixas sifonadas, que impedem o retorno dos gases aos ambientes.
A água das cozinhas recebe um tratamento à parte, porque carrega gordura. Em edifícios, o projeto costuma prever ramais próprios para a cozinha e caixas de gordura, para que esse material não acumule nos tubos de queda e provoque entupimentos. A água de lavagem de áreas comuns e de garagens também tem destino definido em projeto, com dispositivos adequados para reter sólidos e resíduos antes de chegar à rede.
O que fazer para manter as redes separadas na obra
O projeto resolve a concepção, e a obra precisa respeitá-la. Algumas medidas ajudam a manter cada rede no seu caminho:
- Identificação das tubulações. Tubos, caixas e ralos de águas pluviais e de esgoto sanitário devem ser reconhecíveis, para que a manutenção futura não os confunda.
- Compatibilização com os outros projetos. As prumadas passam pelas áreas técnicas junto com água, gás e elétrica, e o espaço de cada uma precisa estar reservado com a arquitetura e a estrutura.
- Pontos de inspeção acessíveis. Caixas de inspeção e visitas bem posicionadas permitem desobstruir a rede sem quebrar acabamentos.
- Inclinações e diâmetros conforme o cálculo. Cada trecho segue as inclinações e os diâmetros definidos em projeto, e os desvios feitos na obra para resolver interferências precisam voltar ao projetista.
O custo de ligar uma rede na outra
Uma ligação cruzada entre as redes costuma passar despercebida até a primeira chuva forte. Corrigir o problema com o edifício ocupado exige abrir pisos, forros e paredes para refazer as conexões, e o refluxo de esgoto em um pavimento inferior gera transtornos para os moradores e custos de reparo. Prever a separação no projeto, com as prumadas e os destinos definidos, reduz essa possibilidade.
Conclusão
A separação entre a rede de esgoto e as águas pluviais protege o edifício de refluxo, sobrecarga e mau cheiro, e atende às exigências da concessionária. Ela nasce no projeto hidráulico, com prumadas independentes, destinos definidos e espaço reservado nas áreas técnicas, ainda na fase de concepção do projeto.
Se a sua incorporadora ou construtora está desenvolvendo um novo empreendimento, a equipe da Office Engenharia pode projetar as redes de esgoto sanitário e de águas pluviais, compatibilizadas com os demais projetos desde as primeiras definições.
Perguntas frequentes
Pode ligar a água da chuva na rede de esgoto do edifício?
As concessionárias e os municípios costumam proibir. A rede de esgoto é dimensionada para o esgoto sanitário, e a água da chuva produz um volume muito maior em pouco tempo. A exigência específica deve ser confirmada com a concessionária local e com a equipe técnica.
Qual a diferença entre esgoto primário e esgoto secundário?
O esgoto primário reúne as tubulações em que pode haver passagem de gases da rede. O esgoto secundário reúne as tubulações protegidas por desconectores, como ralos e caixas sifonadas, que impedem o retorno dos gases para fos ambientes.
Para onde vão as águas pluviais de um edifício?
Dependem do projeto e das exigências do município. Podem ir para a sarjeta, para a galeria pluvial, para um sistema de infiltração ou para uma cisterna, quando o edifício aproveita a água da chuva.